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A Mente Coletiva

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Este artigo foi inspirado na fábula da experiência do centésimo macaco, usada para ilustrar a teoria de Rupert Sheldrake sobre os campos de ressonância mórfica. Trata-se de uma fábula porque a experiência, de fato, nunca existiu, sendo usada apenas como orientação pedagógica para a teoria. Por outro lado, também a existência desses campos nunca foi concretamente estabelecida, o que não tira do estudo a sua natureza altamente instigante e a sua elevada probabilidade de os campos serem reais. Aqueles que não estão familiarizados com esta teoria podem encontrá-la no artigo sobre o assunto também publicado no site.

Já ouvi muitas pessoas se referirem aos animais afirmando que eles têm “apenas” uma alma coletiva, coisa à qual nunca dei muita importância, mas agora, pensando melhor sobre o assunto, me sinto obrigado a discordar.

A ideia que tenho de alma aponta para um receptáculo onde são armazenadas as impressões captadas pelo espírito e, portanto, responsável pelo nosso centro emocional, ou seja, “como” essas impressões são armazenadas. Mesmo em se tratando de animais, acho muito difícil que elas sejam armazenadas da mesma forma em todos eles, o que, por si só, já eliminaria o seu caráter coletivo. Não é incomum vermos animais traumatizados, ao contrário de outros felizes e perfeitamente adaptados.

Um exemplo da aplicação dos campos mórficos seria o de um cachorro saber exatamente o momento em que o seu dono se aproxima de casa e dirigir-se ao seu ponto de chegada sem que nada lhe tenha sido instruído.  Isto é uma percepção pura e, portanto, uma manifestação do espírito atuando no centro mental. Essas impressões são captadas pelo espírito e depois processadas pelo centro emocional da alma, gerando reações específicas em cada indivíduo.

Quem ensina o cachorro a levantar a perna para urinar e a cadela a se abaixar para isso? Quem ensina determinadas espécies, que morrem antes do nascimento de suas crias, a deixarem tudo pronto para que elas possam sobreviver, inclusive alimentação? Quem ensina os pássaros a migrarem em determinadas épocas do ano ou os peixes a subirem o rio para a desova? Estes são apenas alguns exemplos que poderiam ser completados por uma infinidade de outros casos.

A experiência do centésimo macaco é uma maneira de mostrar que é necessária, como nas reações em cadeia, uma massa crítica para que o processo se desenrole. Embora a teoria não tenha sido demonstrada, vários testes práticos foram realizados através de transmissões selecionadas.

O próprio Sheldrake realizou experimentos sobre ressonância mórfica, um dos quais indicou que figuras ocultas em alto contraste tornam-se mais fáceis de identificar após terem sido percebidas por outras pessoas. Pesquisas de 1983, envolvendo populações na Europa, Américas e África, demonstraram um aumento significativo (76%) no índice de acerto da ilustração 2 após sua transmissão televisiva, antes de uma segunda exposição, comparado a um aumento muito menor (9%) na ilustração 1, que não foi transmitida. Esses resultados sustentam a ideia de que fica mais fácil aprender o que já foi aprendido por outras pessoas, constituindo, assim, a massa crítica necessária para sustentar a teoria.

Não existe emoção envolvida nesse processo, apenas a percepção captada pelo espírito. É importante destacar que a transmissão de TV foi apenas uma ferramenta externa de teste dos pesquisadores; o fenômeno da ressonância mórfica em si ocorre de forma puramente sutil, sem a necessidade de injetar energia física externa para que a informação se propague pelo campo. Isto é o que chamamos de mente.

Já descrevemos em outro artigo as diferenças entre as maneiras de deslocamento entre dois pontos comparando várias possibilidades, e a conclusão óbvia é que a mente pura é o meio mais rápido de transporte. Não estamos falando aqui de projeção — que pressupõe um vínculo permanente, mas de um deslocamento real e absoluto. Este meio de transporte total é inviável enquanto formos obrigados a carregar um corpo material, pois a matéria nos retém. Nem mesmo a alma poderia fazê-lo, pois é uma forma de matéria, mais sutil, mas ainda matéria. Nossa mente pura, no entanto, apesar de animar o corpo como uma centelha divina, não é desta dimensão — ela é o canal que nos liga ao todo, à inteligência universal.

O ser humano se gaba da sua individualidade e costuma considerar os coletivos com certo desprezo, mas, no entanto, até mesmo no mundo material um coletivo bem equilibrado pode trazer resultados compensadores devido à sinergia entre seus componentes.

A conclusão natural do exposto é a de que os animais estão mais perto de uma mente coletiva do que o ser humano. Eles conseguem acessar aspectos da inteligência universal que os humanos, no seu “processo de individualização”, não conseguem. Aqui vou fazer uma distinção entre mente e intelecto, considerando este último como o resultado da individualização e da criação de uma personalidade.

A mente não é transgressora, o intelecto, sim. A mente não tem livre-arbítrio, o intelecto, sim. O intelecto é transgressor porque pode fazer escolhas como, por exemplo, criar o “Coringa” para subverter a ordem natural das cartas de um baralho. O intelecto está voltado para o mundo material, a mente busca a inteligência universal. O intelecto cria um falso Ego, incompleto, com o qual se mostra ao ambiente que o cerca. À medida que nos afastamos do intelecto, nos aproximamos da mente e chegamos mais perto da inteligência universal.

Por isso, o título deste artigo se justifica. Quando o ser humano conseguir transcender o intelecto e passar a viver na mente pura — manifestando a totalidade da essência do Ser —, não haverá mais barreiras a ultrapassar. Quem atinge esse estado pode se deslocar instantaneamente para onde quiser, pois torna-se energia pura, livre dos limites do corpo material. Quanto mais percebemos a verdadeira realidade, mais perto estaremos de nos unir com o todo. Será que algum dia conseguiremos?

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